Para entrar na Europa, o brasileiro precisa de passaporte válido por pelo menos 3 meses após a data de saída do espaço Schengen, seguro viagem com cobertura mínima de 30 mil euros em despesas médicas, passagem de volta e comprovação de hospedagem e recursos financeiros. A exigência do seguro consta no Código de Vistos Schengen (Regulamento CE 810/2009) e vale para os 29 países do acordo.
A cena se repete todo dia no aeroporto de Lisboa: a família desembarca depois de 10 horas de voo e o agente pede um documento que ninguém imprimiu. Quem não apresenta pode ser mandado de volta no próximo avião, com passagem paga do próprio bolso.
Este guia lista cada documento, o valor exato exigido e a fonte oficial de cada regra, país por país.
Documentos obrigatórios para entrar na Europa
A lista de documentos que a imigração europeia pode exigir de brasileiros está no artigo 6º do Código de Fronteiras Schengen (Regulamento UE 2016/399). São cinco itens: passaporte válido, bilhete de saída, comprovante de hospedagem, prova de recursos financeiros e seguro viagem. Brasileiro não precisa de visto para turismo de até 90 dias, mas precisa provar que cumpre essas condições se o agente pedir.
Passaporte com validade mínima de 3 meses
O passaporte deve valer por pelo menos 3 meses após a data em que você sai do espaço Schengen, e ter sido emitido há menos de 10 anos. Na prática, consulados recomendam 6 meses de folga para evitar questionamento no balcão.
Passagem de volta ou bilhete de saída do espaço Schengen
A imigração quer ver que você vai embora dentro dos 90 dias permitidos. Serve a passagem de volta ao Brasil ou um bilhete para fora da zona Schengen, como um voo de Lisboa para Londres.
Comprovante de hospedagem para todos os dias
Reserva de hotel, voucher de aluguel por temporada ou carta-convite de quem vai hospedar você. O documento precisa cobrir todas as noites da viagem, não só a primeira cidade.
Comprovação de meios de subsistência
Cada país define o valor diário exigido por pessoa. Portugal, por exemplo, pede 40 euros por dia, mais 75 euros por entrada, conforme a Portaria 1.563/2007. Extrato bancário, fatura de cartão de crédito internacional e dinheiro em espécie contam como prova.
Seguro viagem com 30 mil euros de cobertura médica
O seguro deve cobrir no mínimo 30.000 euros em despesas médicas, hospitalares e repatriação, valor fixado no artigo 15 do Código de Vistos Schengen (Regulamento CE 810/2009). Vale lembrar que plano de saúde não cobre no exterior na maioria dos contratos, então a apólice, que é o contrato do seguro, resolve a exigência legal e o imprevisto real.
Cada um desses itens tem detalhe que derruba viajante desatento. As próximas seções destrincham um por um.
Como funciona o espaço Schengen e quais países estão dentro
O espaço Schengen é um acordo que eliminou o controle de fronteira entre os países membros. Na prática, você passa pela imigração uma única vez, no primeiro país onde desembarca, e depois circula entre os demais sem novo carimbo.
É por isso que a exigência documental muda conforme o destino: as regras da seção anterior, incluindo o seguro de 30 mil euros, valem para quem entra em qualquer país do acordo. Fora dele, cada governo define as próprias condições.
Países do Schengen em 2025
O espaço Schengen reúne 29 países. Romênia e Bulgária completaram a adesão em 1º de janeiro de 2025, quando caíram os controles terrestres.
A lista: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Suécia e Suíça.
Repare que Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein estão no Schengen sem fazer parte da União Europeia. Os dois clubes não são a mesma coisa.
Países da Europa fora do Schengen
Reino Unido e Irlanda ficam fora do acordo e têm imigração própria, com regras e exigências separadas. O Chipre é membro da União Europeia, mas ainda não aplica o Schengen por completo.
Albânia, Sérvia, Montenegro e Turquia também seguem legislação nacional. Se o roteiro da família mistura Londres com Paris, você passa por dois controles diferentes.
Regra dos 90 dias em 180
Brasileiro pode ficar até 90 dias dentro de qualquer período de 180 dias no espaço Schengen, somando todos os países visitados. A janela é móvel: a contagem olha sempre os últimos 180 dias, não o ano-calendário. Estourar esse limite gera multa e pode impedir entradas futuras.
Passaporte brasileiro: validade, páginas em branco e prazo de emissão
Passaporte perto de vencer é o erro que mais barra brasileiro antes mesmo do embarque, ainda no check-in da companhia aérea.
Quanto tempo de validade o passaporte precisa ter
O Código de Fronteiras Schengen exige passaporte válido por pelo menos 3 meses após a data prevista de saída da Europa, emitido nos últimos 10 anos. Na prática, se a volta é em 20 de julho, o documento precisa valer até 20 de outubro.
Tenha também ao menos duas páginas em branco para os carimbos de entrada e saída. Companhias aéreas conferem isso no embarque e podem negar o voo.
Prazo e custo de emissão na Polícia Federal
A emissão é feita pela Polícia Federal e custa R$ 257,25 na taxa comum (valor no site oficial da PF, gov.br/pf). O processo tem três etapas: formulário online, pagamento da GRU e atendimento presencial agendado.
O prazo oficial de entrega é de até 10 dias úteis após o atendimento, mas o gargalo costuma ser o agendamento, que em capitais pode levar semanas em alta temporada. Viagem marcada para julho pede passaporte resolvido em março ou abril.
Passaporte de criança e menor de idade viajando
Criança precisa de passaporte próprio desde bebê, e a validade é menor: 1 ano para menores de 1 ano, subindo gradualmente até 5 anos entre 4 e 17 anos. Confira o vencimento de cada filho, porque o documento das crianças vence antes do dos pais.
Menor viajando com apenas um dos pais precisa de autorização do outro, com firma reconhecida ou feita em cartório, conforme a Resolução 131 do CNJ. Sem ela, a Polícia Federal impede o embarque no Brasil.
Seguro viagem Europa: por que é documento e não item opcional
O seguro viagem entra na mesma pasta do passaporte porque a exigência tem força de lei. O Código de Vistos Schengen (Regulamento CE 810/2009, artigo 15) fixa o padrão: cobertura mínima de 30 mil euros para despesas médicas, incluindo repatriação, que é o retorno do viajante ao Brasil por motivo de saúde ou falecimento.
Brasileiro não precisa de visto, mas o agente de fronteira pode cobrar esse mesmo padrão na chegada, com base no artigo 6º já citado.
O que o Schengen exige na apólice
A apólice é o documento que comprova o contrato do seguro. Para a Europa, ela precisa mostrar três coisas: os 30 mil euros de despesa médica, validade em todo o espaço Schengen e cobertura durante toda a estadia, do primeiro ao último dia.
Leve a apólice impressa em inglês ou espanhol, com o nome de cada pessoa da família. Criança precisa da própria cobertura, não entra de carona na dos pais.
Como a imigração verifica o seguro
O agente confere o documento na hora, cruzando datas com a passagem de volta. Apólice só no celular é risco: sem sinal ou com bateria no fim, você não comprova nada.
Se alguém da família trata uma condição de saúde contínua, vale conferir antes como funciona a doença preexistente no seguro viagem, porque nem todo plano cobre essa situação do mesmo jeito.
O que acontece se você chegar sem seguro
O artigo 14 do Código de Fronteiras Schengen autoriza a recusa de entrada de quem não cumpre as condições do artigo 6º. Na prática, você pode ser mandado de volta no próximo voo, com custo por sua conta.
Um plano familiar de duas semanas custa uma fração disso.
Comprovantes que a imigração pode pedir na chegada
A entrevista no guichê dura menos de dois minutos na maioria dos casos. Mas o agente pode pedir qualquer papel da lista do artigo 6º, e a família que leva tudo impresso em uma pasta passa rápido. Celular descarregado ou sem sinal não é desculpa aceita.
Reserva de hotel, Airbnb ou carta-convite
Imprima a confirmação da reserva com nome, endereço e datas de todas as cidades do roteiro. Se vai ficar na casa de alguém, o documento muda: é a carta-convite, declaração que o anfitrião registra no órgão local (na França chama attestation d'accueil, em Portugal é o termo de responsabilidade). Sem ela, a hospedagem gratuita vira ponto de interrogação para o agente.
Comprovante financeiro e valor por dia por país
Cada país fixa um valor mínimo por dia de viagem. Portugal exige 40 euros por dia mais 75 euros por entrada, conforme a Portaria 1.563/2007. A Espanha atualiza o valor todo ano pelo Ministério do Interior: em 2025 são cerca de 118 euros por dia, com mínimo em torno de 1.065 euros por pessoa.
Servem como prova: extrato bancário recente, fatura do cartão de crédito internacional com limite visível ou dinheiro em espécie. Para família, o titular comprova pelos filhos menores.
Itinerário de viagem e passagens internas
Imprima a passagem de volta ao Brasil e os trechos internos, como o trem de Paris a Amsterdã ou o voo low cost entre Lisboa e Roma. O itinerário fecha a história: mostra que as datas, a hospedagem e o dinheiro batem com o tempo de permanência declarado.
Uma pasta plástica com tudo em ordem cronológica resolve.
Documentos extras conforme o perfil do viajante
A lista do artigo 6º vale para todo mundo. Alguns perfis, porém, precisam de papéis a mais, e é aqui que muita família descobre a pendência em cima da hora.
Criança viajando sem os dois pais
Menor brasileiro que sai do país sem um dos pais precisa de autorização de viagem com firma reconhecida ou assinada eletronicamente pelo gov.br, conforme a Resolução 295/2019 do CNJ. A Polícia Federal confere antes do embarque. Se a criança viaja só com a mãe, o pai autoriza, e vice-versa. Leve também a certidão de nascimento para comprovar a filiação, já que o passaporte não traz o nome dos pais.
Viajante 60+ e medicamentos de uso contínuo
Remédio controlado deve viajar na embalagem original, acompanhado da receita médica, de preferência com o nome do princípio ativo. Uma tradução simples para o inglês evita conversa longa na alfândega. Quem usa insulina ou seringa deve levar declaração médica justificando o transporte na bagagem de mão.
Gestantes
Companhias aéreas costumam pedir declaração médica de aptidão para voar a partir da 28ª semana, e muitas recusam embarque após a 36ª. A regra é da companhia, não da imigração, então confirme a política da sua antes de comprar.
Intercambistas e estudantes
Curso acima de 90 dias exige visto de estudante, solicitado no consulado do país de destino ainda no Brasil. A carta de aceite da escola, o comprovante de pagamento e o seguro com vigência total do curso entram no processo.
Quem tem cidadania europeia
Dupla nacionalidade dispensa as exigências de entrada: apresente o passaporte europeu na chegada e o brasileiro na saída do Brasil. O seguro deixa de ser obrigatório, mas o custo de um hospital particular lá fora continua o mesmo.
ETIAS e as mudanças nas regras de entrada a partir de 2026
As regras que você leu até aqui continuam valendo, mas a forma de controlar a fronteira está mudando. Duas siglas vão aparecer no seu planejamento: EES e ETIAS.
O que é o ETIAS e quem precisa
O ETIAS é uma autorização eletrônica de viagem, parecida com a ESTA dos Estados Unidos. Não é visto: brasileiro segue isento de visto para turismo de até 90 dias. É um cadastro online feito antes do embarque, com resposta em minutos na maioria dos casos.
Segundo o site oficial da União Europeia (travel-europe.europa.eu), a taxa é de 20 euros, com isenção para menores de 18 e maiores de 70 anos. A autorização vale por 3 anos ou até o passaporte vencer, o que ocorrer primeiro, e serve para múltiplas entradas.
A previsão oficial é de início no último trimestre de 2026, com um período inicial de transição em que viajar sem a autorização ainda será tolerado. Confirme a data no site da UE antes de comprar passagem, porque o cronograma já foi adiado outras vezes.
Sistema EES e controle biométrico
O EES vem antes e já está em operação. Desde 12 de outubro de 2025, os países Schengen começaram a registrar digitalmente a entrada de visitantes, com foto e impressões digitais substituindo o carimbo no passaporte. A implantação é gradual e deve estar completa em abril de 2026.
Na prática, a primeira passagem pela fronteira pode demorar alguns minutos a mais por causa da coleta biométrica. Os documentos exigidos não mudam: passaporte, seguro e comprovantes seguem na pasta da família do mesmo jeito.
Checklist final e erros que barram brasileiros na fronteira
Reserve uma noite da semana do embarque só para conferir papel por papel. Dez minutos de revisão evitam a cena que ninguém quer viver: a família parada no guichê enquanto o voo de conexão parte.
Checklist impresso e digital
Monte uma pasta física e uma cópia no celular, nessa ordem:
- Passaporte de cada viajante, com validade e data de emissão já conferidas
- Passagem de volta ou de saída do espaço Schengen
- Reservas de hospedagem de todas as cidades, com nomes e datas
- Comprovante de recursos financeiros do roteiro
- Apólice do seguro viagem impressa, com os 30 mil euros visíveis
- Autorização de menor, carta-convite ou receitas médicas, se o perfil pedir
Salve também os PDFs em um e-mail acessível offline. Pasta impressa resolve quando a bateria acaba na esteira de desembarque.
Os cinco erros mais comuns no guichê de imigração
- Passaporte que vence menos de 3 meses depois da volta, barrado ainda no check-in no Brasil.
- Entrar só com passagem de ida, sem prova de que vai sair do Schengen em até 90 dias.
- Hospedagem na casa de amigos sem carta-convite validada pelo país de destino.
- Seguro com cobertura abaixo de 30 mil euros ou apólice apenas em português, sem o valor em euros destacado.
- Respostas vagas sobre o roteiro, que abrem espaço para o agente pedir todos os documentos da lista.
Quatro desses erros se resolvem com impressão e conferência. O do seguro se resolve antes: compare os planos que atendem a exigência Schengen e cote na Volta Seguro com o preço final por pessoa na tela.
O que resolver ainda esta semana
O medo de ser barrado na imigração tem nome: documentação incompleta. Depois de tudo que você leu, ele deixa de ser um fantasma e vira uma lista de cinco itens do artigo 6º do Código de Fronteiras Schengen, cada um com regra clara e fonte oficial.
Se fosse para guardar só três coisas deste guia, seriam estas:
- Passaporte válido por pelo menos 3 meses após a data de saída da Europa, emitido nos últimos 10 anos. Confira hoje, porque a fila da Polícia Federal não espera o seu voo.
- Seguro viagem com no mínimo 30 mil euros de despesa médica é exigência do Regulamento CE 810/2009, não sugestão de agência. A apólice impressa vai na mesma pasta do passaporte.
- Comprovantes de hospedagem, passagem de volta e recursos financeiros em papel. O agente não aceita celular descarregado como justificativa.
O passo prático cabe em uma noite. Separe os passaportes da família, confira validade e data de emissão, imprima as reservas e verifique se o plano de seguro cobre o valor mínimo do destino. Se ainda não contratou, a cotação leva poucos minutos: você compara os planos das seguradoras, vê o preço final por pessoa e recebe a apólice por e-mail e WhatsApp, pronta para imprimir. As regras específicas do continente estão reunidas na página de seguro viagem para a Europa.
Fronteira não é lugar de surpresa, é lugar de pasta organizada.
Falta só um item na sua lista? Cote agora o plano que cumpre os 30 mil euros e embarque com a família tranquila.
Perguntas frequentes
Brasileiro precisa de visto para viajar para a Europa?
Para turismo de até 90 dias no espaço Schengen, não. O acordo de isenção vale para brasileiros com passaporte comum. Isso não dispensa os demais documentos: o artigo 6º do Código de Fronteiras Schengen (Regulamento UE 2016/399) permite que a imigração peça passaporte válido, bilhete de saída, comprovante de hospedagem, prova de recursos e seguro viagem com cobertura mínima de 30 mil euros.
Qual a validade mínima do passaporte para entrar na Europa?
O passaporte precisa valer por pelo menos 3 meses após a data prevista de saída do espaço Schengen e ter sido emitido nos últimos 10 anos. Se a volta ao Brasil é em 20 de julho, o documento deve valer até 20 de outubro. Companhias aéreas conferem isso no check-in, então quem está perto do limite pode ser barrado antes mesmo de embarcar.
Seguro viagem é obrigatório para a Europa?
Sim, para os países do espaço Schengen. O Código de Vistos Schengen (Regulamento CE 810/2009, artigo 15) fixa cobertura mínima de 30 mil euros em despesas médicas, incluindo repatriação, que é o retorno do viajante ao Brasil por motivo de saúde ou falecimento. A imigração pode pedir a apólice impressa na chegada, por isso o seguro entra na mesma pasta do passaporte.
Quanto dinheiro preciso comprovar na imigração europeia?
O valor muda por país, porque cada um define o próprio mínimo diário. A comprovação pode ser feita com dinheiro em espécie, cartão de crédito internacional com limite disponível ou extrato bancário recente. Pacote pago e hospedagem quitada ajudam a reduzir o valor exigido. Antes de viajar, confira o número atualizado no site do consulado do primeiro país onde você vai desembarcar.
Criança precisa de autorização para viajar para a Europa?
Menor brasileiro que sai do país sem um dos pais precisa de autorização de viagem com firma reconhecida em cartório ou assinada eletronicamente pelo gov.br, conforme a Resolução 295/2019 do CNJ. A Polícia Federal confere o documento no embarque. Se a criança viaja com os dois pais, basta o passaporte válido dela, com a mesma regra de validade dos adultos.
O que é ETIAS e quando começa a valer?
O ETIAS é uma autorização eletrônica de viagem, parecida com a ESTA dos Estados Unidos, prevista para entrar em operação a partir de 2026. Não é visto: brasileiro continua isento para turismo de até 90 dias. Será um cadastro online feito antes do embarque, com taxa e validade de alguns anos. Até lá, valem as regras atuais do Código de Fronteiras Schengen.
A imigração pede os documentos impressos ou vale mostrar no celular?
Leve tudo impresso. O agente de fronteira não é obrigado a aceitar tela de celular, e bateria descarregada ou falta de sinal não serve de justificativa. Monte uma pasta com passaporte, passagem de volta, reservas de hospedagem com nome e datas, apólice do seguro viagem e comprovação financeira. Mantenha uma cópia digital no celular apenas como reserva, nunca como única via.

